Coração do Paraná

flying machine

Curitiba, cinco árvores por habitante. Quinze celulares a cada sete automóveis. Oitenta e quatro baratas para duas ratazanas. A água da Sanepar é boa de tomar.

Para seu conforto, as esquinas de Curitiba dispõem de agulheiro, balinhas, carregador e pedras de crack. Fale com um de nossos atendentes.

Todas ruas são práticas e dobráveis. Paga dois, leva um. Em Curitiba, as faixas são vermelhas pros carros se lembrarem de não atropelar a gente.

Nas vias de Curitiba, você recicla sua bicicleta em grande estilo. Cair com a cara no pavimento pode atingir uma velocidade inigualável. Venha também!

Quebre a quadra, o capacete de isopor absorve o impacto por um milésimo de segundo. Pedale as articulações frouxas derrubando parafusos. Desprenda o guidão, retorcendo a roda dianteira órfã pelo chão até chegar no aro, na carne, no osso, até que o corpo vire piche, asfalto preto-abismo da capital.

Está no jornal e na rádio: Curitiba é a melhor cidade para sangrar até morrer.

 

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1 Comentário

  1. Liu fala: Responder

    Há poesia em duras palavras ❤️

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