Control

A vida de Ian Curtis lembra um filme em fast-forward. Começou a trabalhar aos dezesseis anos, casou-se aos dezenove, tornou-se músico aos vinte, teve uma filha aos vinte e dois, atingiu fama mundial aos vinte e três e suicidou-se poucos meses antes de completar vinte quatro anos de idade. Control, filme de estreia de Anton Corbij, baseia-se no livro Touching From a Distance, de Deborah Curtis (viúva de Ian), bem como na experiência pessoal do próprio diretor, que trabalhou como fotógrafo para o Joy Division. Talvez pelo contato direto das pessoas envolvidas com o personagem retratado, o resultado é uma obra incrivelmente balanceada.

O título do livro de Deborah não poderia descrever melhor a persona de Ian. Seu distanciamento e introspecção tornavam difícil a externalização de sentimentos. Ian nunca está presente de todo, suas motivações interiores sempre ocultas. Após o sucesso do Joy Division, Ian parece tornar-se um espectador da própria carreira, refém de expectativas conflitantes das pessoas que amava. Se por um lado precisava cuidar de sua filha, trabalhar no serviço público, seguir um regime estrito de medicamentos antiepilépticos e evitar excessos, por outro tinha que lidar com as demandas – e prazeres – cada vez mais intensos da carreira de músico. Nesse sentido, o título do filme encaixa-se muito bem. Assistimos a um crescendo, em que Ian gradualmente perde o controle de seu casamento, sua vida pessoal e sua vida profissional, culminando no suicídio. A escolha de uma estética em preto e branco contribui para a atmosfera geral de melancolia, mas o ponto forte do filme são as atuações. O elenco apresenta uma combinação de atores renomados da cena independente e novatos, dos quais destaca-se Sam Riley, que interpreta o próprio Ian. A trilha sonora, é claro, vai agradar qualquer fã desta que foi uma das pioneiras do movimento post-punk.

Por Henrique Fanini Leite

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