Blood Simple

 

Joel David Coen e Ethan Jesse Coen, irmãos nascidos em Minnesota, desde crianças refaziam, em uma câmera super 8, os filmes que tinham visto na televisão. Depois de passarem pela universidade, Joel foi trabalhar como assistente de direção de Sam Raimi em “A Morte do Demônio” (Dica da Ema para os próximos capítulos) quando começou a escrever seu primeiro roteiro junto ao irmão, que também iniciava carreira no cinema. Assim é lançado Blood Simple (Gosto de Sangue) em 1984.

Quem conhece as obras mais recentes da dupla como ” Onde os fracos não tem vez”, “Bravura Indômita”, “Delírios em Hollywood”, “Fargo”, “Ei meu irmão, cadê você” ou “O grande Lebowski” pode já estar familiarizado com o mundo dos irmãos Coen, o que de nenhuma maneira tira o interesse deste filme; ao contrário, além de uma ótimo obra, é neste que vemos pela primeira vez muitas das características que se tornariam marcantes na filmografia destes realizadores.

Em uma pequena cidade no meio do deserto do Texas, Julian Marty, dono de um bar, suspeita que sua esposa tem um amante e contrata um detetive particular para segui-la; confirmada a dúvida, ele refaz o acordo  – pede para matá-la, enquanto ele está fora da cidade.

Misturando filme noir com faroeste em uma típica história policial dos anos 50, Joel e Ethan fazem não apenas uma releitura destes gêneros, mas imprimem seu próprio estilo – roteiro bem desenvolvido, cheio de reviravoltas improváveis e narrativa pouco convencional. Os personagens, como não poderia deixar de ser, são um tópico a parte – pessoas normais, mas com uma tendência quase inexorável ao erro e que se envolvem, quase sem querer, em situações pouco comuns. Destaque para M. Emmet Walsh, que interpreta o detetive (ganhou o prêmio de melhor ator no Independent Spirit Award) e Frances  MacDormand, que interpreta a esposa, muito longe do papel da mocinha tradicional dos filmes noir.

Um dos muitos méritos não só deste, mas também das demais obras dos Coen é criar um mundo a parte, onde fatos reais e surreais misturam-se a todo momento, mas com tamanha naturalidade que estranhamente sentimos que todo aquele absurdo excêntrico facilmente poderia acontecer conosco.

Este filme ganhou ainda o prêmio de Melhor Direção do Festival de Sundance de 1984. Um belo começo do mundo a parte criado pelos  Coen.

 

Mariana B Cavariani

1 Comentário

  1. Gilberto Moura fala: Responder

    Parabéns.

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