Beasts of no Nation

beasts of no nation resenha

De festivais de música a filmes de Hollywood, tanto já se falou sobre os problemas da África que o termo “criancinhas da África” (tragicamente) já virou um cômico lugar comum. Sob esse ponto de vista, Beasts of no Nation é um poderoso lembrete de que tudo aquilo que motivou o ativismo das décadas passadas permanece uma realidade em vários países do continente.

O filme de Cary Fukunaga narra a história de Agu, habitante de um vilarejo de refugiados que, após uma invasão de tropas governamentais, é separado da mãe, vê seu pai e irmão mais velho serem assassinados e acaba nas mãos de um grupo de guerrilheiros, onde é forçado a se tornar soldado. O filme procura esboçar um perfil psicológico para Agu, utilizando-se sobretudo de voice overs de suas orações e pensamentos. Ao mesmo tempo, retrata com realismo quase perturbador as provações a que o garoto é submetido e os atos de violência que comete.

Embora haja continuidade na linha narrativa, o enredo não é o ponto central da obra. O destino de Agu parece não ser tanto uma preocupação quanto a realidade em que está inserido. Dessa forma, os acontecimentos servem de base para que sejam retratadas as motivações dos combatentes, a miséria moral e material em que se inserem, o uso de drogas generalizado e o completo desprezo pela vida humana. Com atuações e direção sólidas, Beasts of no Nation consegue escapar das principais armadilhas que comprometem filmes desse gênero, como o sentimentalismo barato e maniqueísmos políticos, resultando num filme frio, duro e, justamente por isso, verdadeiro.

Por Henrique Fanini Leite

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