Artista do Desastre

James Franco é um artista prolífico, tendo atuado em nove filmes e dirigido dois apenas no ano passado. Apesar do ritmo acelerado e da participação em obras um tanto duvidosas, Artista do Desastre é prova de que Franco (ainda) não sacrificou suas ambições artísticas no altar de Holywood.

O filme é baseado no livro homônimo de Greg Sestero e Tom Bissell, obra autobiográfica que descreve o processo de filmagem daquele que é considerado um dos piores filmes já feitos: The Room. A história é narrada a partir do ponto de vista de Sestero, um aspirante a ator que conhece o excêntrico Tommy Wiseau durante um curso de teatro. Desiludidos com o progresso de suas carreiras, os dois decidem produzir um filme, financiado pelo próprio Wiseau, que acumula as funções de roteirista, ator principal e diretor. Mal começam as filmagens, no entanto, fica claro que aquele é um desastre anunciado.

O filme se mantém fiel a boa parte das convenções da comédia, sobretudo no enredo. Apesar disso, a excelente atuação de Franco e a temática interessante compensam facilmente a previsibilidade da narrativa. A figura de Tommy Wiseau desperta bastante curiosidade, assim como a bombástica alcunha de “O Pior Filme da História” com que se descreve o objeto da obra. Aqui, vale um parêntesis: é provável que seja melhor assistir The Room antes de Artista do Desastre. Este que vos escreve fez ao contrário, e, já preparado para o que iria assistir, não viu qualquer graça na sofrível obra original. É fácil imaginar, contudo, a perplexidade hilariante com que uma plateia incauta deve ter recebido o filme nas salas de cinema. O principal feito de Artista do Desastre é justamente conseguir reproduzir, com efeito cômico, essa perplexidade, sentimento dominante de todos os envolvidos com o filme.

Por Henrique Fanini Leite

Gostou? Deixe seu comentário!