A Qualquer Custo

A carreira do diretor escocês David Mackenzie é um misto de gêneros e intenções. Se por um lado foi responsável por filmes como Young Adam, muito bem recebido pela crítica, também foi o diretor de obras estritamente comerciais, como Jogando com Prazer. No meio disso, temos obras como o ambicioso (e mal recebido) You Instead, filmado durante um festival de rock. Em A Qualquer Custo, Mackenzie se vale destas experiências múltiplas para soprar vida nova ao gênero de faroeste.

No Texas, dois irmãos realizam assaltos a agências do banco Texas Midlands em cidades pequenas. Já no primeiro assalto, a marcante diferença de personalidade dos dois fica evidente. Toby, o irmão mais novo, é moderado, racional e cuidadoso, enquanto Tanner, o mais velho, é violento e impulsivo. Juntos, formam uma boa equipe. Seguindo um plano delineado por Toby, os assaltantes tomam várias precauções: roubam apenas notas pequenas, sempre de manhã cedo, e enterram os carros utilizados. Evidentemente, os irmãos almejam algo além destes pequenos assaltos. Complicações imprevistas – e a astúcia do Texas Ranger que os persegue –  acabam forçando um desvio dos planos originais.

Mackenzie soube explorar com maestria as convenções do gênero. Manteve aquelas que faziam sentido para a obra, mas não pensou duas vezes ao descartar algumas. As panorâmicas de paisagens áridas, por exemplo, nos situam rapidamente na atmosfera pretendida, mas as cenas de tiroteio passam longe de um “duelo de cowboys”. O enredo orbita o convencional “homem oprimido fazendo justiça pelas próprias mãos”, mas os personagens bem construídos e a relutância em assumir uma postura moral garantem que a obra não seja “mais do mesmo”. O excelente roteiro de Taylor Sheridan, indicado ao Oscar, é explorado em todo seu potencial, resultando em um filme por vezes dramático, por vezes cômico, mas sobretudo intenso.

Por Henrique Fanini Leite

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