À morte e à morte

Ao nada, minhas ilusões, ao nada!
Só, eu rio e morro.
Rio de mim e dos outros, do que fui e dos que se foram.
Vou-me e é justo que me vá assim, com o corpo envolto em
pedras,
e o peito cheio de dores ignoradas.
Não digam que cometi suicídio.
Não! Não se envaideçam.
Não haverá de ser por suas perversidades.
Será por mim, egoisticamente por mim.
As pedras me conduzirão, afinal, apenas elas me venceram na
arte de rolar.
Morro do mal da pouca vida, desta sina insana, deste destino
certo;
morro envolvida em pedras, para evitar despesas e dispensar
protocolos vãos.
Lanço-me às águas, também por vaidade, antevendo a
primeira mordida,
a disputa por cada lasca de pele, por cada porção de víscera.
Lanço-me às águas a fim de me tornar útil na morte.
Perdoem-me os vermes da terra;
perdoe-me o proprietário da funerária Hess;
perdoe-me, Liz – cancele as rosas amarelas -,
mas os braços do coveiro serão poupados,
uma árvore será poupada, velas serão poupadas.
Nem rituais, nem hipocrisias.
Esta será a vez das piranhas.


Tereza Du’Zai, natural de Itajaí, SC, é poeta, contista, cronista e professora de Língua Portuguesa e Literatura. O tempo, a loucura, a solidão e a morte são temas recorrentes na obra de Duzai que, desde 2015, tem se dedicado, também, à literatura fantástica e gótica. Vencedora do III Concurso UFES de Literatura na categoria poesia, participou também de coletâneas publicadas entre 2016 e 2018 no Brasil e no exterior. 

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