A Lula e a Baleia

Qualquer um que assista A Lula e a Baleia não ficará surpreso ao descobrir que o filme foi produzido por Wes Anderson. A obra, dirigida por Noah Baumbach, não é derivativa de forma alguma, mas possui personagens – ou talvez desenvolva seus personagens – bem ao estilo do icônico diretor texano. Lançado no festival de Sundance de 2005, A Lula e a Baleia recebeu diversas premiações e elogios da crítica, com ênfase na qualidade do roteiro e no sentimentalismo ambíguo de algumas cenas.

Bernard e Joan são um casal de intelectuais nova nova-iorquinos. Ambos escritores, passam por momentos diferentes na carreira. Bernard, autor consolidado, encontra-se agora incapaz de publicar a última obra que escreveu, enquanto Joan é uma estrela em ascensão. Quando o relacionamento dos dois entra em colapso, os filhos, Walt e Frank, já sob o peso de pais exigentes, serão alvo de disputa em um divórcio conturbado.

A Lula e a Baleia apresenta características de um filme de arte, mas com uma roupagem um pouco mais leve, graças as cenas de comédia. Nisso, não deixa de mimetizar a vida, em que o mundano e o familiar são constantes. O filme é centrado em personagens, mais que em acontecimentos e, tratando-se de um divórcio, consegue trilhar um percurso delicado entre os cônjuges, expondo motivações, fraquezas e sentimentos. Nisso, é de um realismo pungente. Mesmo aqueles que nunca vivenciaram um divórcio na família serão capazes de se relacionar com os personagens, seja avaliando as atitudes dos pais, seja por empatia pelos filhos. É sobretudo pela ótica destes últimos, aliás, que Baumbach é capaz de aprofundar a discussão. Junto com eles, nos vemos conjecturando culpados, devaneando soluções, as vezes sentindo ódio, as vezes compaixão. O final, aberto, mas conclusivo, reverbera ainda por muito tempo, muito mais que os oitenta e um minutos de projeção.

Por Henrique Fanini Leite

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