A Importância da Tradução

Nesta quinta, a EMA publica algo diferente. Abaixo, estão duas traduções do parágrafo inicial de Ana Karenina (ou Anna Karênina), de Lev Tolstoi (ou Liev, ou Leon Tolstói). A primeira é de Lucio Cardoso, escritor, dramaturgo e poeta brasileiro. A segunda foi originalmente creditada a Mirtes Ugeda, mas é de autoria do escritor português João Gaspar Simões, de acordo com o blog não gosto de plágio. Para tornar a comparação ainda mais interessante, nenhuma das duas é tradução direta.


Todas as famílias felizes se parecem, as famílias infelizes são infelizes cada uma ao seu modo. Tudo estava em desordem na casa Oblonski. Prevenida de que o marido entretinha uma ligação com a antiga preceptora francesa dos seus filhos, a princesa se recusara a viver sob o mesmo teto que ele. O trágico desta situação, que se prolongava há três dias, aparecia em todo o seu horror tanto aos esposos, como aos habitantes da casa. Todos, desde os membros da família até os criados, compreendiam que a vida em comum não tinha mais razão de ser – e sentiam-se mais estranhos um ao outro que os hóspedes fortuitos de um albergue.

*

Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes são infelizes cada uma a sua maneira.

Havia grande confusão na casa dos Oblonski. A esposa acabara de saber a respeito das relações do marido com a preceptora francesa e comunicara-lhe que não podiam continuar vivendo juntos. Durava já três dias a situação, para tormento não só do casal, mas também dos demais membros da família e da criadagem. Todos na casa se davam conta de que não havia mais razão para manter aquele convívio, sentindo que as pessoas que por acaso se encontrassem em uma estalagem talvez tivessem mais afinidades entre si.

 

Por Henrique Fanini Leite

 

Gostou? Deixe seu comentário!